domingo, 26 de dezembro de 2010

Itália





O tempo estava nublado, era quase noite e uma fina neve caia. Eu não parava de admirar a pura neve, ,meu nariz estava esmagado contra o vidro o fazendo embaçar ainda mais. Era minha primeira noite na casa dos meus tios na Itália, depois do acidente que matou meus pais. E cada vez que eu olhava contra o vidro e via a neve cair, era o mesmo que imaginar todos os dias que passei com meus pais. Já era noite, e meu rosto já estava frio, acabei por perder a hora imaginando se tudo estaria diferente se eles não tivessem morrido.
Eu estava tão longe quando ouvi minha gatinha miando, cheguei a estranhar, mas logo cai em mim e olhei para ela. Seus enormes olhos azuis me olhavam com tristeza e sono, os quais retribui, embora meus olhos fossem negros. Acabei sendo vencida pela angustia e resolvi me deitar, puxei as grossas cobertas e me deitei de baixo para me esquentar e logo Akasha se aninhou em meu pescoço. E não demorou muito para eu pegar no sono.
Quando acordei pela manhã ainda estava nublado com finos raios de sol para iluminar um pouco o céu da linda Roma. Me levantei e arrumei a cama mas logo Akasha bagunçou ela de novo. Vesti um vestido lilás que ganhei de aniversário de minha mãe e coloquei um grosso casaco de pele por cima e desci para tomar café com meus tios.
Quando minha tia me viu, pude ver um rastro de lagrimas em seu rosto, por que eu pareço minha mãe, e tenho o mesmo nome, Elizabeth. Não consegui dizer nada, apenas sorri e me sentei a mesa. Tomei meu café em silencio enquanto era observada de perto pelos meus tios.

- É...posso ir ao Parthenon?
- Claro...- responderam quase automaticamente.

Pedi licença e me retirei da mesa, subi rapidamente ao meu quarto para pegar minha bolsa, colocar botas e pegar meu gorro. E antes que eu pudesse me esquecer, peguei um guarda chuva e a chave de casa.
Desci correndo e sai de casa, quando cheguei a rua, o ar frio congelou meu rosto. Caminhei lentamente, pois o museu não ficava muito longe de casa, fui apenas apreciando a vista.
Quando cheguei ao museu, admirei sua beleza estonteante, não estava tão movimentado por causa da neve, mas continuava lindo. Pendurei meu casaco e o guarda-chuva no braço e entrei. Toda sua arquitetura era perfeita por ter sobrevivido a todos esses anos.
Fui até a parte do museu onde se encontrava a estátua da Deusa Atena.


- Così magnifico - assusto quando olho para traz e vejo um lindo moço de cabelos negros e olhos verdes, atrás de mim sorrindo. Percebendo que não disse nada, resolveu se apresentar. - Nizza, il mio nome è Pietro e tu?
- Elizabeth...
- Non se parla molto de vero? - dizia o moço italiano.
- Não entendo muito bem o que você fala...
- Ah, perdão. Assim está melhor?
- Está. - sorrio gentilmente.
- Você conhece bem a mitologia da Deusa não é mesmo?
- Sim conheço. Ela foi uma das Deusas mais importantes na mitologia.
- Concordo com você; Então Eliza, quer tomar um café?
- Claro! - sorrio e saimos conversando para fora do museu para ir a uma cafeteria.

Rimos durante o caminho para tomar café, e nesse meio tempo ele pediu meu celular. E eu só passei por que ele pareceu ser legal e ter gostado de mim.
Nos sentamos em uma mesa e continuamos conversando. As horas se passaram e eu não me divertia desse jeito desde a morte dos meus pais.
Por mim, eu ficaria naquela mesa dias e dias conversando com ele, mas se não fosse minha tia ligar me mandando voltar para casa, eu nem voltaria. Por fim Pietro decidiu me acompanhar até em casa.
Quando chegamos, em vez de apenas me dar um beijo no rosto, ele me beijou nos labios, e foi o beijo mais doce do qual eu já havia provado. E por fim, ele foi embora, e marcamos de nos encontrar no mesmo café, as 15:00.
Subi para meu quarto, toda alegre, e contei para a minha tia o que havia acontecido. Ela apenas rio e achou o maximo.
Quando me deitei para dormir, tive o melhor sonho de toda a minha vida.
No dia seguinte, acordei um pouco mais tarde e apenas me arrumei e desci para almoçar. Já era quase 14 horas da tarde quando resolvi sair de casa pra ir ao café. Mas quando chego , vejo ao longe Pietro sentado na nossa mesa, segurando as mãos de uma menina muito bonita, e ela se aproxima e o beija. E quando ele se afasta e olha na minha direção, mas antes que pudesse vir atras de mim, saio correndo.
Não conseguia acreditar no quão burra eu fui para acreditar nele e no beijo dele. Chegando em casa, subo correndo e me tranco no quarto. Homens, ruim com eles, pior sem eles.
Me sento na cama e o celular começa a tocar, e não atendo. Logo depois chega uma mensagem.
" Não é o que você está pensando."
Nunca é o que pensamos. Agora, sempre que damos o nosso coração para alguem, é quase certeza de que nos devolva em pedaços.

sábado, 24 de julho de 2010

♥ Um Olhar do Submundo. ♥




Era noite e chovia sem parar, o tempo estava diferente e eu sentia isso dês do dia em que tudo aconteceu. Me debrucei na cabeceira da cama olhando para fora, quase nenhum carro passava pela rua e os que passavam estavam em alta velocidade. Estava me sentindo cansada, afinal, já fazia algum tempo que havia chegado da missa de sétimo dia do meu irmão. Sempre que me lembrava de como tudo aconteceu, meus olhos se enchiam de lagrimas e eu não sabia se chorava por sentir saudades ou se me culpava pela forma com que ele morreu.
Me distrai por um momento em minhas lembranças, sempre que isso acontecia eu sentia um calor invadir meu corpo, como que se ele estivesse ao meu lado. Por um momento cheguei a vê-lo olhando para mim da janela...
Quando vi algo se mexer, estava difícil ver pois a chuva estava intensa, quando vi o que era, um gato havia pulado do arbusto. Me senti aliviada, cheguei a pensar que eles estavam me observando, de novo.
Quando ouvi passos pesados subirem a escada, sai da janela e logo me sentei na cama, por que já sabia que levaria bronca quando minha mãe visse que eu não estava na cama,dormindo. Ela entrou no quarto em silencio, com aquele olhar culpado. Tá, eu sabia que a culpa foi minha, mas também não pedi para que me seguissem. Mas desde então, esse era o único olhar com o qual Clarice, minha mãe, me olhava.

- Sher, vá dormir...- logo se aproximou e me deu um beijo seco de boa noite na testa, como que se ela tivesse nojo de mim.

- Já vou... apenas estava olhando pela janela...- e fui interrompida por sua voz inquisitória.

- Ele jamais voltará, Sher...conforme-se com isso.- e sem dizer mais nada saiu do quarto.

Mas algo dentro de mim me dizia que ele voltaria, não sei como, nunca acreditei que pudesse voltar, mas eu tinha essa esperança, embora seja em vão..
Quando me recostei para dormir, ouvi meus pais discutindo e isso me deixava ainda mais triste pois era véspera do meu aniversario de 16 anos, e o primeiro de muitos, que passaria sem ele, sem meu herói, sem meu Mich...
Logo pela manhã, me levantei e fui para o banheiro e dei de cara com meu pai , que por sinal estava com o mesmo olhar de Clarice. Vocês podem até achar estranho eu chama-la por esse nome em vez de ‘mãe’ mas é difícil chamar alguém assim quando ela simplesmente te culpa pela morte do filho e ainda por cima te chama de ‘filha do diabo’. Até hoje não entendi o por que dela me chamar assim,mas começou com isso já faz um mês da morte do meu irmão.
Meu pai, por mais que me olhasse igual a ela, deu um sorrisinho torto e me deu feliz aniversario, que sinceramente preferi que não tivesse dado. Pelo menos me pareceu muito forçado da parte dele. Mas tudo bem, respondi obrigado e entrei no banheiro. Tirei a roupa e tudo o mais e fui tomar banho, embora estivesse me sentindo cansada e um pouco febril. A água corria por meu corpo e isso me relaxava um pouco, fazia com que eu afastasse os pesadelos de minha mente. Fiquei na mesma posição por uns 20 minutos e finalmente resolvi terminar o banho e começar a me arrumar para ir para a escola.
Coloquei meu uniforme ainda no banheiro e aproximei da pia para escovar os dentes e que por sinal estavam muito sensíveis. E quando cuspi a espuma saiu junto com sangue, me assustei...lógico. E quando me olhei no espelho, estava pálida, com olheiras profundas, me senti morta. Afastei essa possibilidade invalida já que estava em pé, respirando e sentindo dor. Sequei o cabelo, que por sinal parecia ainda maior, e meus olhos azuis pareciam estar com um tom mais claro e vivo. Logo pensei, estou louca.
Voltei para meu quarto e peguei minha bolsa e meus cadernos e desci para a cozinha, Clarice estava sentada na mesa ao lado de Richard, meu pai. Ao me sentar na mesa para tomar meu leite quente que estava frio, ela começou a me alfinetar.

- Você nem dormiu né? Acho que ficou chorando a noite inteira pelo meu filho, estou certa? – e sem tirar os olhos do leite respondi o mais seco possível.

- Não, mas estou bem, um pouco de febre mas bem. – e voltei a tomar meu café da manha, ela ficou pálida e não disse mais nada. Eu realmente não estava entendendo por que eles estavam daquele jeito. Não fui eu quem matou Mich, foi o Luck meu ex-namorado que por sinal, era muito viciado em sangue e eu não sabia, fora a rincha que eles tinham e que eu também não sabia. Ótimo eu nunca sabia de nada.

- Vamos...você esta atrasada...- meu pai se levantou da mesa muito abruptamente e nem me olhou.

Não consegui responder direito, pareceu mais um miado de gato estrangulado do que um ‘tá’ simples e claro. O segui para o carro sem dizer mais nada e quando entrei ele me olhou fixo nos olhos e disse com uma voz muito seria que chegou a me assustar.

- acontece o que acontecer, querida, não se deixe levar pelo sangue. – e ficou me olhando como que se eu estivesse entendendo tudo, mas ai que tá, eu não estava entendendo nada.

- o que? Do que você esta falando? – estava começando a me irritar com todo aquele mistério em sua voz e ainda por cima me sentia culpada, o que de fato, piorava tudo.

- seu irmão...- quando ele disse tais palavras meu sangue entrou em ebulição e a única coisa que eu consegui fazer foi gritar ‘PARA DE FALAR DELE’, mas antes que pudesse fazer isso ele terminou a frase.

- começou assim...

- começou assim como pai? – a raiva flutuou por uns momentos no carro e eu voltei a ficar calma.

- com esses sintomas, cansaço, palidez, sangramento na boca...- quando ele disse, ‘sangramento’ seus olhos se umedeceram e eu percebi isso claramente.

- como soube do sangue? – comecei a sentir medo.

- o lado esquerdo de seus lábios estão sujos de sangue, não foi difícil descobrir. – ele ligou o carro e ficamos em silencio por algum tempo, o que não foi muito bom por que o sol estava irritando meus olhos. Sem dizer nada, ele me entregou os óculos de sol, e os coloquei. Quando chegamos a escola, tirei o sinto de seguranças e fui abrir a porta mas antes disso ele me segurou e disse:

- Olha, parece loucura, mas tome isto...- ele me entregou uma bolsinha pequena e ao abrir eu vi : dinheiro, é...muuuuito dinheiro, uma passagem de avião só de ida para Nova York e um endereço no qual não me pareceu estranho.

- O que é isso? Quer que eu vá embora no dia do meu aniversario? – a fúria começou a tomar conta de mim novamente, estava cansada de todos quererem distancia de mim depois do que aconteceu com meu irmão.

- Sher, um carro vai vir buscar você para te levar ao aeroporto, entre e vá, sem perguntas. – ele abriu a porta do carro e simplesmente me pôs para fora. Respirei fundo para não gritar de ódio e entrei na escola. Não dei muitos passos e a senhora Caleman, a mulher realmente era muito insuportável e fechei os olhos pronta para ouvir uma bronca quando ela me entregou um papel e saiu andando sem dizer nada. No papel estava escrito:

‘ Você foi transferida de turma. Para o nível mais avançado.
Prédio 3, no quarto andar. ’

Sem esperar por um grito da Sr. Caleman, fui andando o mais rápido possível, quase correndo para o prédio. Estava começando a me sentir cansada quando parei para me sentar em um banco. Eu fechei os olhos e comecei a respirar muito rápido. Podia jurar que fiquei ali sentada quase a manha inteira até que um garoto se aproximou de mim, ele parecia ser um ou dois anos mais velho que eu, ele era muito bonito e eu nunca tinha visto ele em lugar algum, não no meu prédio que era o 2 e o dele parecia ser o 3. Eu estava com os óculos escuros ainda o que de certa forma, dificultou ele ver que eu estava acordada.

- hey garota, acordei. – ele me cutucou e eu respondi meio mau-humorada.

- tô acordada. Quem é você? – tirei os óculos e vi que ele era ainda mais bonito .

- ah sim...- fiquei um pouco envergonhada com o fato de te-lo deixado sem graça, mas não pude evitar, meu dia estava sendo péssimo.- me chamo Leonard e o seu ?

- Sher...que ano você está? – fui um pouco para o lado do banco para ele se sentar.- senta... – ele se sentou um pouco tímido e achei fofo isso nele.

- Já terminei de estudar, sai dessa escola já tem 10 anos , e você em que ano esta? – seu sorriso era lindo, branco e encorajador e o que me fez sentir falta do Mich. Bom não sei se foi impressão minha mas cada vez que tento me lembrar dele, a lembrança de seu rosto de torna distante.

- Bom, segundo o recado que eu recebi assim que eu entrei no prédio 2, eu fui transferida para o 3... eu estava no 1° ano mas aqui esta falando que eu fui transferida para o 3° ano, o que achei muito estranho por que tenho apenas 16 anos... qual sua idade Leo? – retribui ao seu sorriso, só que com um tom um pouco triste.

- 17 anos, um ano a mais que você, não é legal? – ele deu uma risada tão gostosa que me senti flutuar, mas logo voltei a mim e fiz uma cara muito estranha.

- como assim? Você falou que terminou a escola já tem 10 anos, era para no mínimo você ter 27 anos. – me pus de pé pronta para correr, mas antes que eu fizesse isso ele jogou meus cadernos no chão e me agarrou pelo pescoço e tacou-me na parede.

- Quietinha. Você faz perguntas de mais garota. Mandaram eu vir buscar você na saída, só que algo me dizia que você não iria ir comigo então resolvi vir um pouco antes. – eu estava me debatendo, e estava começando a ficar mais furiosa do que já estava. Uma força começou a surgir dentro de mim e eu consegui lança-lo para longe. Não olhei para traz e sai correndo. O sol estava incomodando meus olhos, eu havia os deixado junto com meu material no banco. Por tanto só consegui ver uma silueta de um carro preto e me pareceu familiar, então entrei no banco de traz. Quando fechei a porta e olhei para frente Leonard estava no banco do motorista e havia travado as portas, tentei abrir mas não consegui.

- O que você quer comigo? – minha voz estava seca e com um pouco de raiva.

- Não quero nada, só tenho que leva-la para o aeroporto, seu pai...desculpe, quero dizer, Sr. Wuld, pediu para levar você.

- Wuld? Meu sobrenome é Laffer, não Wuld.

- Você não é filha deles, e não vou explicar. Fique ai quieta e não me aborreça.
Não precisou dizer duas vezes. Não disse mais nada, apenas estava me sentindo estranha o suficiente para nem pensar que era adotada. Será que era por isso que Clarice me odiava tanto? Por eu não ser filha dela e ainda por cima matar seu filho? Eu realmente não estava conseguindo entender. O caminho da escola até o aeroporto era rápido mas para mim pareceu ser uma eternidade pois eu estava mergulhada em meus pensamentos e levei o maior susto quando meu pseudo pai abriu a porta e com aquele sorriso gentil e caloroso pediu para mim sair. Não consegui dizer um ‘oi pai que bom vê-lo’ , apenas disse:

- eu não sou sua filha? – meus olhos estavam saltados, eu apenas disse isso antes de sair do carro e cair em seus braços desmaiada.
Acabei tendo um sonho muito estranho.

Estava de noite, e eu estava em um beco escuro junto com um menino, ele era alto, mais alto que eu se duvidar. Tinha cabelos escuros como a noite e seus olhos vermelhos . Sua boca estava suja de sangue e ele estava me segurando na parece com uma mão em minha cintura e a outra apoiada e vários corpos a nossa volta. Minha boca também estava suja. Ele estava se aproximando, sentia seu corpo quente bem junto ao meu e seu rosto tão perto que cheguei a sentir sua respiração tensa. E foi quando ele apareceu. Quando meu irmão, Mich apareceu e ficou horrorizado com a cena.

- Sher...o que você fez...- sua voz estava rouca e ele tentou se aproximar quando a pessoa em que eu estava quase beijando me jogou para traz para ‘tentar’ me proteger.

- Você não vai tirar ela de mim Michel, não de novo...- sua voz mais parecia um rosnado do que qualquer outra coisa, e foi quando eu me lembrei de quem era. Era Luck, meu ex-namorado que odeia meu irmão, e eu nunca soube o motivo.

- Ela não é sua e nunca vai ser Luck. Você é um assassino e não vou deixar que leve a minha irmãzinha pelo mesmo caminho que você resolveu seguir.- Mich serrou os punhos como que se estivesse pronto para acabar com a raça do meu ex quando ele pulou em cima do meu irmão sem que desse tempo de reagir.

- Para, sai de cima dele Luck, para de machucar o meu irmão...- eu estava chorando e gritando, e as ultimas palavras que ouvi antes de acordar foi: ‘como que se você não gostasse de sangue’. Me levantei tão abruptamente gritando ‘EU NÃO GOSTO’ que todos no jatinho particular do meu ex-suposto-pai havia alugado.
Olhei para os lados e Leonard estava atrás de mim, supostamente acho que estava dormindo no colo dele o que me deixou muito frustrada. Mas ignorei a sensação de querer mata-lo e fixei meus olhos em Richard. Ele possivelmente deve ter entendido meu olhar e logo começou a se explicar. Me dei por feliz só de imaginar que minha raiva tinha surtido tamanho efeito sobre ele.

- Sher...querida...- antes dele começar a falar apenas sibilei : ‘não me chame de querida’, e de fato ele entendeu o recado pois se corrigiu.

- Está bem. Sher. Tenho que te contar uma coisa....- seu olhar estava triste mas eu já sabia o que ele queria me contar, ou tinha uma idéia pelo menos.

- Que eu não sou sua filha? É seu capacho já me deixou a par disso. – meu olhar estava o fuzilando.

- Não é só isso. Mas obrigada por falar mais do que devia Leonard...

- Disponha...- quando ele disse essas palavras, revirei os olhos. Ow homem petulante.

- Ótimo. Olha, eu deveria ter contado isso a você antes, mas você precisa aprender a controlar sua cede primeiro. Sher, você não é humana. Seus pais não são humanos. Bom, um dia foram até que sua tia psicopata virou vampira e transformou a todos também. Só que você era muito pequena quando isso aconteceu, de fato você era ainda um bebe. Tinha apenas 2 anos na época. Então sua tia com medo de que seus pais recém-
transformados a matassem para saciar sua própria cede de sangue , a entregou para mim, para cuidar de você como se fosse minha, e que o dia que você começasse a sentir vontade de beber sangue era para manda-la a N.Y. para ela treinar você... – tá, vampira? Ah conta outra. Eu realmente não acredito muito nisso e fiquei chocada por um homem da idade dele falar uma coisa dessas. E foi quando eu rebati.

- E você espera, papai, que acredite nisso?

- Na noite em que você viu Michel morrer, você estava suja de sangue da cabeça aos pés. E não foi por abraça-lo depois de morto por que nos a encontramos no meio de corpos humanos sem sangue algum.

- Vampiros NÃO existem. – um tom de irritação estava surgindo em minha voz.

- Se não existissem eu teria a aparência de um homem de quase 30 anos, querida Sher. – a voz de Leonard era mais uma piadinha do que uma defesa aos vampiros.

- Fica quietinho...- fiz uma voz imitando a dele me mandando ficar ‘quietinha’ na escola e dei um sorrisinho forçado e me voltei para meu ex-suposto-pai.- Me prove isso então.

Ele apenas deu um sorriso e se levantou. Pensei que estivesse indo buscar algo para beber já que eu estava com cede e de fato, aquela conversa estava me tirando do serio. Mas quando ele voltou, senti um rio de formando em meus olhos e quando me dei conta estava em pé com as mãos no rosto e chorando muito. Michel estava em minha frente. Estava vivo. Vivo. Me senti feliz e ao mesmo tempo triste. Ele estava diferente. Não sentia mais que ele era ele. Seus olhos estavam da mesma cor que os meus, azuis vivos sendo que antes os dele era castanho claro, quase mel. Seus cabelos estavam mais compridos e sua aparência um tanto ‘convidativa’.

- Michel...- eu realmente mal conseguia falar, ele se aproximou e me abraçou. Retribui ao seu abraço com toda a força que tinha me restado naquele momento.- Como isso é possível, eu vi você morrer...- e nisso mais lagrimas escorriam de meus olhos.

- Calma irmãzinha, tudo vai ficar bem. Sou como você agora. Fique calma. Também fiquei assustado quando meu pai me contou mas tudo vai ficar bem, não é tão ruim assim. – ele levantou minha cabeça que estava recostada em sua camisa branca e me olhou nos olhos, por um momento pensei que fosse me dar um beijo, mas ele apenas sorrio e se afastou para que Richard pudesse falar.

- Beba isso Sher, vai te fazer bem. Você me parece muito cansada. Lógico, não duvido que sua cabeça esteja a mil por hora.- ele me entregou uma taça cheia de sangue, fiz uma careta quando vi mas o cheiro doce me invadiu por completo e bebi tudo de uma vez. Era bom, não vou negar. Mas só de pensar que eu teria de matar alguém para beber sangue me fazia sentir nojo.

Me senti tão bem que quando devolvi a taça para ele de volta, quis pedir mais, porem fiquei quieta. Sentei-me novamente e senti uma frustração crescer dentro de mim.

- Como que meus pais nunca me procuraram? – comecei a limpar as lagrimas que havia derramado ao ver meu irmão.

- Eles sabem de você querida. E estão ansiosos com a sua chegada, acredite. – o sorriso do Sr. Wuld me deixou um pouco mais feliz, só que eu ainda não entendia nada.
Senti o jatinho começar a descer e então percebi que deveríamos ter chegado em Nova York. Olhei pela janelinha e vi que estávamos no terraço de uma super mansão que me deixou boquiaberta. Sinceramente mais parecia um palácio do que uma casa. Comecei a imaginar quantas pessoas moravam ali.

Meu irmão foi até uma ante-sala e trouxe para mim um lindo vestido vermelho,super acentuado na cintura e eu cheguei a pensar que não entraria nele. Até então não havia reparado que todos estavam usando smoking e muito bem arrumados. Minha voz interior começou a gritar dentro de mim. ‘ Será que vou ser apresentada a sociedade vampirica?’.Não, não poderia ser. Apenas peguei o vestido e fui me vestir e me arrumar. Depois de arrumar meu lindo cabelo negro e liso perfeito, passei uma maquiagem forte nos olhos e um batom vermelho e coloquei o vestido. Quando finalmente sai da ante-sala todos estavam me olhando, inclusive Leonard que por sinal acho que sua boca estava no chão. Quis provoca-lo mandando recolhe-la mas achei que pegaria pesado de mais. Então meu irmão me deu o braço para mim segurar para descer do jato e caminhamos para o elevador a nossa espera para eu finalmente conhecer minha família. A verdadeira pelo menos.
Eu realmente estava me sentindo linda. Quando o elevador parou no andar desejado, vi todos. E nesse ‘todos’, haviam meu pai, minha mãe, minha tia e mais um monte de gente que não me falaram. Minha mãe , Athea,se parecia muito comigo. Olhos grandes e boca farta. Já meus cabelos, herdei de meu pai,Angelo. De fato, me dei por feliz por não ter herdado nada de minha tia, a não ser a voz melódica. Todos pareciam estar congelados no tempo, como que se fossem realmente pessoas normais, ricas, em uma mansão enorme. Mas sonhar é bom, eu acho pelo menos.

- Minha filha querida, como você cresceu...- minha mãe me abraçou com tanta força que pensei que fosse me cortar no meio.- você está tão linda.
Nisso juntaram-se ao abraço meu pai e minha tia. Realmente pensei que fosse morrer sufocada agora. Depois que terminaram de me ‘amassar’, decidiram me apresentar as pessoas. A voz de Louize, minha tia, era realmente bonita e ecoou pelo salão quando ela pediu licença para falar.

- Vampiros e Vampiras, quero que conheçam minha querida sobrinha que foi afastada de nós por 16 anos para seu próprio bem. Hoje ela regressa finalmente a sua casa, a sua verdadeira casa. – ela voltou-se para mim como que se fosse para mim dizer algo. Apenas sorri e disse que era bom finalmente voltar para casa.
A musica voltou a tocar. Era um baile clássico. Todos usavam roupas formais e todos eram muito bonitos. Estava admirando tudo até que uma voz familiar falou em meu ouvido. Me virei para ver quem era, e adivinha? Era Leonard. É a própria assombração. Ele pediu para dançar comigo, e aceitei.

- está gostando da nova família Sher? – sua voz era grossa, forte, e ele tinha um cheiro muito bom.

- sim, estou. Bom, pelo menos agora entendo por que Clarice me chamava de filha do diabo. E entendo também o fato dela me odiar.- pousei minhas mãos em seus ombros e continuamos dançando. Como que se tudo a minha volta estivesse parado e existisse apenas nós dois no salão.

Ao longe, a cada volta que dava, via meus pais olhando para mim e sorrindo. Nem mesmo em Clarice vi tamanho afeto que tinham por mim. Michel estava me olhando também, mas não estava sorrindo, e sim, me olhando com um olhar ciumento.
Não via problemas na dança, já que Leo não era nada meu e eu sabia o quanto Mich tinha ciúmes de mim com relação a outros caras. Então ele se aproximou e me tirou dos braços dele e começamos a dançar.
Michel era mais alto que Leonard e era muito mais bonito, o que me deixava na duvida. Ele me pegou com tanta força nos braços que me senti leve. Então ele sussurrou em meu ouvido: ‘vamos lá fora?’. Assenti com a cabeça e fomos. A varanda era realmente grande e bem decorada. Pousei minhas mãos na coluna de mármore e fiquei a admirar a lua, estava muito bonita.

- Como se sente não sendo humano Mich? – olhei para ele sorrindo. E ele retribuiu ao meu olhar de uma forma mais intima o que eu estranhei.

- Diferente, mas é bom. E é melhor ainda, quando se tem alguém que gostamos por perto para dividir a eternidade comigo. – ele me agarrou pela cintura e se aproximou. Sim, eu gelei. Meu próprio irmão querendo me beijar? Que isso. Tá certo que ele não é meu irmão de sangue, mas ele ainda era meu irmão. Então resolvi me fingir de tonta.

- Como assim? Você gosta de alguém e não me disse nada Mich? Ai como você é chato.- e então desviei o olhar. Ele de fato deve ter percebido o quão estranho tudo estava sendo para mim e se afastou mexendo em seus cabelos, os jogando para traz. Então me olhou nos olhos e disse.

- É...estou. Mas ela não sente o mesmo, irmãzinha...- quando ele se voltou novamente para mim, pensei que fosse me agarrar novamente e então inventei uma desculpa para voltar para o salão.

- Ah, como você pode saber disso? Já falou com ela? Bom, Mich vou voltar para o baile, se quiser me acompanhar...- então me virei de costas para ele e comecei a andar, apenas o ouvi murmurar um ‘já já eu vou’. Quando entrei no salão novamente todos me olharam. E então tia Louize fez todos ficarem em silencio novamente com sua voz melódica.

- Finalmente chegou a hora da Sher dançar com seu pai. Tradição da família. – seu sorriso era radiante. Então ela fez com a cabeça para meu pai se aproximar e dançamos. Tudo aquilo realmente era estranho, mas de certa forma, era minha família verdadeira. O que me deixou muito feliz. Logo depois que terminamos a dança, não demorou mais que um ou duas horas para todos os convidados irem embora. Ganhei muitos presentes e parabéns de boas –vindas, mas o presente que eu mais gostei, foi um colar com a corrente de ouro e o pingente de rubi. Era magnífico.

A camareira me ajudou a levar os presentes para o quarto. Eu estava cansada e merecia descansar. Afinal, meu dia foi muito estranho. Acordo humana e durmo vampira. Acomodei os presentes em cima da poltrona que havia perto do espelho e comecei a tirar o vestido ficando apenas de lingerie e então alguém bate na porta. Bom, pensei que todos já haviam ido dormir. Fui abrir pensando que era minha mãe ou minha tia querendo me dizer algo e quase grito, se não fosse por ele tampar minha boca. Era Leonard.

- O que você quer? – o fuzilei com os olhos. Logo me virei de costas e comecei a procurar algo para enrolar em meu corpo.

- Nossa você fica tão bonitinha brava, sabia? E melhor ainda vestida como está. – então ele fechou a porta e se sentou em uma cama de solteiro não muito longe da minha de casal. Começou a tirar seu terno e depois a camisa, ficando apenas de calça social e sapatos.

- O que você esta fazendo? Este é o MEU quarto. – serrei os punhos com vontade de pular em cima dele e de rançá-lo de lá a chutes e ponta-pé. Comecei a desejar que meu irmão aparecesse para tira-lo.

- Nosso...quarto. minha obrigação, por mais infeliz que seja para nos dois, é cuidar de você, e olha que não estou fazendo isso por que gosto. – se sentou por fim na cama e ficou olhando para mim. Como que se fosse super normal seu suposto protetor dormir no mesmo quarto que você e ainda por cima vê-la de roupas intimas. Então bateram na porta e fui abri-la. Fiquei olhando quase em choque para Mich quando voltei do mundo da lua e comecei a mandar ele tirar o Leo do meu quarto.

- Não posso maninha...

- Como não?? – estava quase rosnando de tanta raiva.

- Ele é seu ‘protetor’, segurança por assim dizer. Os humanos nos odeiam Sher, por tanto, os vampiros mais novos e menos experientes possuem um protetor. – a expressão de Mich era triste. Eu percebi que ele gostava de mim mais do que uma irmã e o fato dele me ver de roupas intimas com um cara que não fosse ele, o magoava.

- E por que não escolheram você? – meu olhar estava baixo, como que se esperasse que ele dissesse algo que não diria. E sem me dar resposta ele fechou a porta na minha cara e me deixou lá sem resposta, sem nada. Com apenas o idiota do Leonard para me atormentar o resto da vida.
Sem dizer mais nada, apaguei a luz e fui em direção a cama. Quando me deitei senti que não estava sozinha e logo dei um chute o fazendo cair.

- Essa cama é minha, se quiser dormir, vá para a sua. – me deitei no centro da cama para ter certeza que dormiria sozinha. Apenas o ouvi murmurar ‘ estressadinha’.
Na manhã seguinte fui acordada as seis horas para aprender esgrima. Acordei reclamando já que Leonard estava realmente disposto a me tirar da cama alegando que eu deveria me empenhar em aprender já que nosso mundo hora sim hora não era ameaçado pelos humanos, que como ele os costumava chamar de, comida ambulante. Como eu recentemente havia descoberto que estava em fase de transformação entre ser humano e vampiro, ainda me irritava o fato dele nos chamar de ‘comida ambulante’, mas como já havia notado, ele fazia isso para me irritar.

Ele me contou também que alguns vampiros de minha família possuíam poderes interessantes de controlar os elementos da natureza,a mente das pessoas,metamorfose, dentre outros inúmeros poderes que ele me disse. Realmente fiquei tentada a tê-los também.
Quando finalmente me troquei na frente dele, é ele faz questão de não me deixar sozinha um segundo,fomos para a sala de esgrima e entre um bocejo e outro eu reclamava pelo horário. Ao chegarmos na sala, Leo pegou seu florete e ficou esperando que eu pegasse o meu.

- Tá de brincadeira né? – olhei para ele rindo. E então ele me fitou com os olhos e me desafiou.

- Com medo de apanhar feio, querida? – ele começou a levantar o florete em minha direção, só tive tempo de desviar e pegar o meu e me defender. E se tinha uma coisa que eu odiava mais que tudo era dormir no mesmo quarto com um cara que eu mal conhecia e ainda por cima aturá-lo me chamando de ‘querida’.
Foi como que se eu tivesse visto ele vindo em minha direção me atacar, quando contra-ataquei, nem mesmo eu havia acreditado ter feito aquilo e em um movimento rápido o desarmei. Logo depois de ver sua cara de susto comecei a rir e a debochar dele.

- Acho que quem deveria ter medo era você,querido. – e então levantei o florete em sua direção esperando que viesse – angá.

Não demorou muito para ele pegar sua arma. Ele realmente era rápido mas eu ainda conseguia prever alguns de seus movimentos. Ficamos na sala treinando das seis horas da manhã até as dez horas. Pode ser estranho,mas mesmo estando de dia, nossa casa era inteira com placas de metal que durante o dia não impeça nossas atividades. Estranhei de inicio mas logo me acostumei. Quando paramos eu estava suada e morta de fome. Acho que se eu visse um ser humano na frente sugaria todo seu sangue. No entanto, acho que Leo percebeu que estava faminta e resolveu me levar até a cozinha. Quando saímos da sala e passamos para o corredor indo em direção a escada para descermos,uma voz sussurrou em minha mente. ‘ Vou achá-la’.
Parei,imóvel, no mesmo instante em que ouvi a voz. Parecia a voz de Luck. Tinha de ser, já que segundo Richard, é difícil um vampiro jovem morrer, geralmente se reconstituem. Leonard viu minha expressão de pavor e logo depois tudo ficou escuro e desmaiei. Foi realmente horrível por que foi como que se eu estivesse em uma sala escura,com apenas uma luz sob minha cabeça e Luck a minha frente com outra luz sob ele. A cada passo que ele dava em minha direção,eu dava um para traz. Ele estava realmente diferente,mais bonito talvez, mas estava com um sorriso demoníaco no rosto.

- Está com medo amor? – seu sorriso era realmente de dar medo.

- Na...Na...Não. – tentei me manter firme e forte,sem medo mas era impossível. Parecia que seus olhos podiam ler minha alma. Não nego. Ainda gosto dele mas depois do que ele fizera a Michel,ele era de fato, a ultima pessoa que eu queria ver tão cedo.

- Não parece. – e então sorriu ainda mais, como que se estivesse se divertindo da minha expressão de pavor. – Sabe, nunca imaginei que você fosse encontrada ou que seus desejos pelo sangue aflorassem cedo. Interessante. Já descobriu seus poderes,querida?

- Onde estou? Como vim parar aqui sendo que eu estava na minha casa. E não é da sua conta se descobri meus poderes ou não. – cerrei os punhos, minha vontade era de acabar com a raça dele, mas ele era ainda forte de mais.

- Primeiro: você está em sua própria mente. Segundo: eu te trouxe até aqui para matar a saudade da minha namorada preferida. Terceiro: é sim da minha conta saber se seus poderes já foram descobertos. – e antes mesmo que eu pudesse ver seus movimentos como eu via os de Leonard, ele surgiu tão perto,me pegou pela cintura e pude sentir sua respiração.

- Não, não é da sua conta e não sou sua namorada Luck e você deveria ter entendido isso no dia em que matou Michel. – o empurrei mas ele me segurou mesmo assim,parecia estar até mais forte. Mas quando ele ouviu o nome do meu irmão, ele apertou ainda mais meus braços.

- Serio Sher? Por que pelo que consigo ler em sua alma, você ainda me ama mas se culpa pelo fato do seu irmãozinho meio sangue ter aparecido bem quando estávamos prestes a nos divertir naquele beco. – então ele levantou meu rosto e me deu um beijo leve e foi quando acordei sentindo um cheio delicioso próximo a mim. Quando abri os olhos apenas vi imagens embasadas então levei as mãos até eles para esfregá-los e ver melhor. Finalmente consegui distinguir o que estava na minha frente e era sangue. Me sentei e peguei a taça e virei em um gole só.

- Estou exausta. Tive um sonho muito estranho. – estava falando mais para mim do que para Leo que estava ajoelhado na minha frente com uma expressão preocupada, por fim olhei para ele. – com Luck.

- Telepatia...-murmurou ele. Estava mais branco do que antes.

- Como? – não estava entendendo nada.

- Venha Sher. Vou leva-la para a cama, amanha eu te explicarei tudo. – mas antes que eu pudesse argumentar, ele tirou a taça de minhas mãos a pousou na mesa e me juntou nos braços. A principio não sabia qual era a habilidade dele mas desconfiei que fosse a velocidade por que chegamos ao meu quarto em meros 5 minutos. Ele abriu a porta e entramos,logo me deitou na cama,me cobriu e foi saindo, então o chamei.

- Leo...de...deita do meu lado...estou com medo... – pude ver um sorriso mascarado em seus lábios e ele veio,se deitou e me abraçou,dizendo que não deixaria que Luck
me fizesse nenhum mal,já que ele era meu protetor e então adormeci.

Felizmente Luck não me atormentou mais em sonhos, mas mesmo assim me sentia incomodada com o fato dele me perseguir mesmo ele sabendo que o odeio. Tá, não é bem odiar, mas ainda não o perdoei. Quando acordei, meu suposto protetor não estava mais na cama, então me levantei e peguei meu robe e fui atrás dele. Passei por seu quarto e ele não estava lá. Continuei andando pelo corredor quando trombei com minha mãe, ela parecia um pouco contrariada tanto que quando me viu até assustou.

- Sher! – Athea estava com uma expressão de medo e quando me viu acabou relaxando um pouco.

- Mãe? Aconteceu algo? – a olhei com receio.

- Na...não querida. Vamos para a sala? O filho do Sr. Holf gostaria de conhecê-la. – quando disse o nome do homem,ela voltou a ficar um pouco tensa.

- Hm...está bem. Daqui a pouco eu vou. Apenas irei me arrumar um pouco. – dei as costas a ela e voltei para meu quarto.

O incrível em nossa mansão é que todos se vestem vinte e quadro horas por dia com trajes a rigor. Mulheres com vestidos longos e homens de smoking. Chega a ser estranho para mim. Meu guarda-roupas só continha vestidos formais, lindos mas para meu estilo, um tanto desconfortáveis. No entanto, peguei um vestido simples comparado aos outros. Era azul escuro com um laço azul bebe amarrado na cintura. Peguei uma fita na mesma cor do laço e amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo. Me equilibrei em cima da sandália de salto alto,fato que não estava acostumada a usar ainda e fui para a sala.
Todos estavam sentados e quando surgi na escada um moço muito bonito me olhou nos olhos. A principio não reparei em seus olhos mas quando me aproximei o suficiente vi que eram vermelhos como o sangue. Um arrepio percorreu meu corpo. Ele estava usando um terno preto,com camisa e calça preta. Aparentemente parecia ser um terno Italiano,muito bonito e de bom gosto. Seu pai, o Sr. Holf, me analisava de cima em baixo, o que me deixou ainda mais arrepiada. Fiquei parada na frente deles como uma boba e se não fosse minha mãe dizer nada, não seria eu quem diria também.

- Sr. Holf está é minha filha Sher Laffer. – ela sorriu porem ainda tensa.

- Pra...prazer em conhecê-lo Sr. Holf... – estava começando a me sentir idiota pela timidez.

- Ora ora...cresceu muito da ultima vez que a vi. Era apenas um bebe na época. Creio que não se lembre de meu filho. Este é Marcos Holf. – e então seus olhos me fitaram ainda mais intensamente.

- Prazer em conhecê-lo... – não pude fazer muito a não ser sorrir e me sentar ao lado de Athea. Bem, eu ainda estava com dificuldades em chamá-la de mãe.
Ainda que ficassem conversando sobre trabalho, riquezas, poderes e vampiros algo me incomodava. Marcos ficava me olhando com um interesse e tanto. Comecei a me perguntar do por que ele queria me conhecer já que não havia me falado um ‘oi’ se quer. Quando seu pai lhe perguntou algo sobre seus poderes ele não chegou a responder na hora e quando seu pai percebeu,voltou sua atenção a mim. O que foi horrível.

- Então Sher, quais são seus poderes? – seus olhos vermelhos iguais aos de seu filho me engoliram.

- Ainda não descobri, Senhor...

- Bom, meu filho só descobriu os dele quando foi atacado por seu primo...talvez...se a testarmos... – um brilho surgiu tão intensamente em seus olhos que minha mãe ficou congelada.

- Talvez eu pudesse testá-la. – e foi assim que ele falou comigo. Engoli seco quando ele ficou em pé e estendeu sua mão para mim segurá-la e me levantar.

- Não estou pronta... – não tive tempo de completar a frase, apenas pulei para o lado quando ele lançou uma esfera de fogo em minha direção.

- Tá maluco? – apenas gritei antes de desviar de outra.

- Vamos Sher, me ataque... – ele me lançou um terceiro ataque que passou rente ao meu rosto, no entanto, queimou a alça do meu vestido e se não fosse a outra alça,com certeza estaria sem vestido. Quando ele foi para me atacar de novo, apenas vi um vulto me pegando no colo e me deixando longe o suficiente de Marcos. Olhei para o homem e era Michel, o que me deixou muito feliz.

-Graças a deus...-murmurei.

- Ah o grande salvador da pátria chegou. – disse Marcos. E não demorou muito para Leonard estourar uma porta e vir correndo até mim.

- Pensei que a Senhorita Sher possuía apenas um protetor, Sra. Laffer. – os olhos do Sr. Holf fuzilaram minha mãe.

- Michel é irmão adotivo dela. Leonard é seu protetor. – respondeu minha mãe sem olhá-lo nos olhos.

Marcos lançou uma esfera em chamas que atingiu Leonard nas costas o fazendo cair. Quando olhei para ele, estava rindo como que se tivesse conseguido se vingar de alguém que o incomodava a muito tempo. Aquele sorriso. Era igual o de Luck quando matou Michel. Senti meu sangue entrar em ebulição, meus olhos arderem e minhas prezas crescerem. Minhas mãos começaram a gelar e quando olhei para elas, garras de gelo de aproximadamente vinte centímetros de comprimento. Olhei para o espelho que estava na sala e meus olhos de azul, estavam cor de gelo.

- Atraente. Fogo e gelo. – Sr. Holf me analisava com profundo interesse enquanto bebia mais de sua taça de sangue.

Não demorou para Marcos partir para o ataque lançando outra de suas bolas de fogo. Quando uma se aproximou, apenas passei a mão em uma e com o choque do frio e do quente, ela evaporou. Senti uma excitação correr por minhas veias e corri em sua direção o golpeando com as garras. Ele era ágil,pois de defendeu da maioria dos golpes. No entanto consegui o ferir no braço. Ele baixou os olhos para ver seu próprio sangue escorrer, estava ofegante e eu também estava. Ele era bom.

- Acho que já chega Sher. Vão para fora conversar enquanto eu e o Sr. Holf conversamos sobre nossas famílias. – um sorriso doce e gentil surgiu no rosto de minha mãe, deixando a tensão de lado. Ao ouvir suas palavras, comecei a voltar ao normal. As garras sumiram e meus olhos voltaram a ser azuis. Caminhei em direção a sacada, a noite estava linda. Logo Marcos apareceu. Estava com raiva o suficiente para não olhar em seus olhos.

- Nunca mais machuque meus amigos. – disse secamente.

- Ah pelo menos agora você sabe que seu poder é o gelo. – e sorriu. Me virei para fita-lo, a ponto de esganá-lo.

- Continua não tendo graça. – rosnei.

- Vamos, relaxe Sher. Por que se tivermos de conviver juntos com esse seu mal-humor eu desistiria na lua de mel. – e sorriu ainda mais radiante.

- O que? – foi o que consegui dizer.

- Venha. Vamos caminhar pelo jardim enquanto lhe coloco a par de tudo. – estendeu sua mão e eu a segurei. Andamos de braços dados pelo jardim que era um labirinto. Uma brisa gélida bagunçava meus cabelos e refrescava meu corpo, já que o de Marcos era quente. A medida em que ia me dizendo os planos de nossas famílias, maior era a vontade de vomitar que eu sentia. Casar com Marcos? Não. Estava definitivamente fora de cogitação. Não conseguiria viver casada com alguém que não amasse. Seria uma verdadeira prisão, a qual eu não me deixaria prender.

- Marcos, não vou aceitar me casar com você. – ao dizer isso, ele parou e me olhou nos olhos e um nó se formou em meu estomago.

- Sher, não pense que quero me casar também. Sou jovem e queria curtir a vida. Mas não posso desobedecer meu pai e você não deveria fazer o mesmo com sua mãe. – ele alisava meu rosto como que se quisesse que eu acreditasse nele.

- Mas não posso me casar com alguém que não amo, Marcos. Apenas entenda isso. – me afastei dele e corri para fora do jardim. Subi as escadas e passei pela sala o mais rápido que pude, sentindo os olhares de nossos pais em mim mas não me importei e segui para meu quarto. Ao entrar vi Leonard na sacada olhando para o jardim, possivelmente ele viu a cena.

Quando o vi, meus olhos se encheram de lagrimas. Não pude conte-las e escorreram. Me ajoelhei ao lado de minha cama para me debruçar sobre ela e chorar ainda mais. Estava me sentindo usada para fortalecer os vampiros. Estava sendo forçada a casar com alguém que eu não queria. Leonard me olhou e se aproximou. Sua expressão era a de um homem triste que ouviu o que não queria. Seu terno estava queimado pelo ataque e ele se abaixou ao meu lado para me consolar.

- Não chore querida. Não borre sua maquiagem... – ele sorriu gentilmente mas eu percebi que estava triste. Me joguei em cima dele e o abracei com força, coisa que não teria feito um dia antes de pensar em me casar.

- Mas...eu..não...quero...me...casar...- conseguia responder entre soluços. Ele me abraçou e ali ficamos por um tempo, até a raiva e o choro passarem. Olhei para ele e sua expressão era de tristeza ainda, então resolvi perguntar.

- Por que está com esse olhar triste Leo? – ainda estava o olhando.

- Você não entenderia Sher...- ele desviou o olhar, parecia um tanto tenso.

- Tente explicar...- ainda o olhava nos olhos, embora ele estivesse olhando para o outro lado. Então retribuiu meu olhar e disse em um tom sério me pedindo para fechar os olhos e fechei. Senti ele se aproximar e me beijar a bochecha,depois me deu um beijo na ponta do nariz e aproximou sua boca da minha e me beijou intensamente. Ele me puxava para si como que se estivesse com medo que eu fugisse, com medo de que fosse o ultimo beijo.

Não queria admitir mas estava gostando cada vez mais de estar em seus braços. Seu corpo quente junto ao meu e a maneira como ele me beijava. Suas mãos desceram por meu corpo e me fizeram deitar no chão com ele por cima de mim. A cada beijo em meu pescoço me provocava arrepios e me subia o desejo de me entregar por completo a ele. Minhas unhas se tornaram um pouco afiadas e eu rasguei sua camisa, deixando seu peito definido sobre meu corpo. Por um segundo ele parou de me beijar e ficou me olhando e alisando meu rosto enquanto sorria radiante.
Desceu suas mãos por meu pescoço e as levou para minhas costas e então ele desceu o zíper do vestido. Então se ajoelhou em minha frente e se levantou estendendo para que eu a segurasse e me levantasse também e foi o que fiz. Nisso meu vestido caiu me deixando semi-nua com uma lingerie preta de renda. Ele se aproximou me analisando e tirou a calça para que ficássemos iguais, quase nus. Então me tomou nos braços e me jogou na cama e logo se deitou por cima me enchendo de beijos.
Enquanto tudo acontecia ele procurava a coberta para entrarmos em baixo e quando fizemos isso ficamos totalmente nus e me entreguei por completo para ele como jamais havia me entregado para outro homem. Foi um amor tão intenso e apaixonante que não queria me afastar dele nunca mais.
Então de exausta, me deitei e dormi. Ele me envolveu em um abraço forte e ali ficamos. Depois de uma noite intensa de amor na qual não vou me esquecer.
Na manhã seguinte, acordei com minha mãe batendo em minha porta avisando que Marcos estava na sala me esperando. Não respondi ao seu chamado então ela abriu a porta,entrou e ficou me encarando. Acabei acordando contrariada,mas feliz, pois a noite anterior fora linda e maravilhosa.
Me levantei e fui tomar um banho enquanto minha mãe escolhia um vestido para mim, e para minha infelicidade,ela perguntou.

- O que achou do Marcos,filha? – disse ela alegremente.

- Hm, normal mamãe. Deveria ter achado algo a mais? – Já estava terminando o banho e comecei a me secar.

- Acho ele um bom rapaz, e de boa família.

- Não foi ele que tentou te matar não é? – sai do banheiro e fiquei parada na porta olhando para ela que segurava um vestido vermelho de seda.

- Certamente ele não teve intensão..- porem não deixei que terminasse a frase e comecei a descarregar a raiva que eu sentia dele pela noite anterior.

- A não teve? Só quase matou Leonard, queimou meu vestido preferido e ainda ficou insinuando que eu vou me casar co ela, só que eu não vou! – caminhei em direção ao Box do quarto para me trocar. Peguei o vestido vermelho e o coloquei. Ficou ótimo. Justinho e elegante.

- Leonard...por que está defendendo ele? – me olhou desconfiada.

- Não estou defendendo ele. Apenas não achei certo ele tê-lo atacado. – por um momento senti minha voz falhar,mas continuei. – e isso não exclui o fato de que não irei me casar com Marcos.

- Mas ele daria um ótimo marido Sher... – ela pareceu um pouco séria e continuou. – desde que você era bebe planejamos esse casamento, não estrague tudo.
Tentei responder que não, que não aceitaria isso nem em um bilhão de anos mas seria inútil a tentativa. Apenas terminei de me arrumar e sai do quarto batendo a porta. Segui para a sala de visitas e o vi logo de inicio sentado em uma poltrona, com pernas cruzadas e possivelmente usando um terno de risca de giz italiano. Estava bonito, como sempre, mas também estava com aquele mesmo olhar diabólico. Então ele se levantou e veio em minha direção sorrindo.

- Ora, como estas bela hoje. – esticou seu braço e abriu sua mão para que eu colocasse a minha e a beijasse, sem rodeios, fiz o que ele queria e sorri ironicamente.

- Ora, como estas normal hoje. – então puxei minha mão que ele estava segurando e me sentei no sofá.

- Vejo que ainda está brava por mim ter machucado seu amiguinho não é mesmo? – ele veio e se sentou ao meu lado.

- Não só por isso. – fiz questão de olhá-lo nos olhos.

- Bom, conversamos a respeito no restaurante. Vim buscá-la. Vamos? – ele se levantou e estendeu a mão. Segurei em sua mão novamente e me levantei.

- Não tenho outra escolha mesmo....
Então fomos para o jardim onde em frente da mansão estava parado uma limusine. Tentei não fazer um comentário do tipo ‘que exagero’ e esperei para ele abrir a porta e logo ele abriu. Entrei e me acomodei o mais longe dele possível. Não dissemos uma só palavra até chegarmos ao restaurante, o que pareceu ter levado horas.
Quando o carro estacionou, ele saiu, deu a meia volta e abriu a porta para mim sair e foi o que fiz. Olhei para o bar que se chamava ‘Bloom’ . Revirei os olhos e então entramos. Já havia uma reserva no restaurante( que por sinal estava lotado e com uma fila de espera enorme). Fomos para nossa mesa com o garçom logo atrás.
Não vou negar que até então Marcos estava sendo um perfeito cavaleiro, mas seu olhar demoníaco não me enganava. Logo se sentou de frente para mim e pediu duas taças de sangue para o garçom que finalmente nos deixou a sós.

- O que você quer comigo Marcos? – fui direto ao ponto, não estava ali para rodeios.

- Conversar...apenas. – então foi quando começou a me olhar de maneira provocante.

- Pois bem, estamos aqui para isso. – sorri com sarcasmo.

- Vim tratar dos preparativos para o casamento. – então ele sorriu como que se estivesse me desafiando a voar em seu pescoço.

- Ah mesmo? Achou alguém que te queira? – ironizei.

- Achei. Bela e formosa e sabe de outra coisa?

- Não, o que? – elevei uma sobrancelha

- Ela está sentada bem na minha frente. – seu sorriso desapareceu no mesmo instante. – Olha Sher, eu sei o que você fez na noite anterior e digo que para o bem do seu amante, é melhor parar com isso. Não medirei esforços para tê-la.

- Acontece Marcos que você não vai me ter. – cerrei os punhos por baixo da mesa.

- Ah terei. Nem que para isso seja preciso acabar com Leonard. – um sorriso diabólico se formou no canto de seus lábios.

- Não seria capaz...- fiquei com expressão de choque.

- Seria. – e antes que pudesse me ameaçar mais um pouco, nossas taças chegaram e então bebi um pouco para tentar me acalmar. – estaria realmente disposta a me desafiar Sher? – então fitou-me com os olhos vermelhos.

- Na...não...- baixei os olhos para a taça onde podia ver meu reflexo turvo.

- Ótimo. – riu com prazer e prosseguiu. – que cor quer que seja seu vestido?

- Vermelho...
Mal conseguia responder a suas perguntas sem tentar deter uma lagrima que queria escorrer por meu rosto. Não conseguia acreditar na tamanha maldade que ele poderia fazer a Leonard se eu continuasse com ele, ele era a ultima pessoa a quem eu poderia querer ferir. Depois de jantarmos e terminar de escolher os preparativos para a festa fomos finalmente para a casa. No caminho ele disse que queria casar logo, o mais rápido possível e então decidiu que nos casaríamos na próxima lua cheia que seria sábado que vem. Um nó se formava em meu estomago só de pensar em nunca mais ver Leonard.
Assim que chegamos na mansão, não esperei que abrisse a porta. Apenas sai e fui em direção a escadaria quando ele me chamou pela ultima vez de dentro do carro.

- Que tal um beijinho, noiva? – e me olhou como quem estivesse impondo um desafio. Então engoli seco e o sei um selinho, virei as costas e limpei a boca e subi correndo.
Não respondi quando minha mãe me chamou para saber como foi o jantar. Não estava com vontade de ver ninguém e quem eu mais queria ver, eu não podia.
Cheguei em meu quarto o mais rápido possível e tirei o vestido vermelho e entrei em baixo das cobertas. Quando não consegui mais conter as lagrimas, simplesmente deixei que escorressem por meu rosto e não demorou muito para o cansaço me vencer e eu acormecer.
Dormi a manhã inteira e acordei quando minha mãe entrou no quarto sete horas da noite para me chamar para o jantar. Acordei sem dizer nada, me arrumei e desci. Logo para minha ‘felicidade’ meu noivo estava sentado ao lado de meu pai e ao seu lado uma cadeira vaga onde era pra mim me sentar. Sentei e jantei em silencio. Não estava com vontade alguma de conversar.
Marcos me olhava as vezes enquanto conversava com meu pai sobre o casamento. Sentado a minha frente estava Leonard,que estava com um olhar triste e eu não podia fazer nada quanto a isso. Então terminei de comer,pedi licença para me retirar e me levantei. Quando sai da mesa a afirmação de Angelo, meu pai, fez meu corpo inteiro gelar.

- Então Marcos, gostaria de passar a noite aqui em casa? O que acha Sher? – então sorriu.
Não consegui dizer nada, apenas olhei direto para Leonard que estava com uma
expressão de dor. Então olhei para meu pai e disse em um tom de desprezo.

- Acho...ótimo. – então subi as escadas e fui para meu quarto. Não demorou muito para meu queridíssimo noivo aparecer em meu quarto para me importunar. E quando ele entrou, se assustou.

- O que você está fazendo? – franziu o cenho.

- Arrumando a sua cama. – disse secamente.

- Mas eu dormirei com você.

- Não. Você dorme aqui,no chão. Eu durmo ali, na cama. – sorri sinicamente. Ele se aproximou e me agarrou com força pelo braço e seu olhar fez com que todo meu corpo ficasse arrepiado.

- Vou dormir com você e ponto final. – então me fez sentar na cama enquanto ele tirava a roupa ficando de roupa intima.

- Ah não. Não vou dormir com você desse jeito. – fiz cara de nojo.

- Acostume-se, a lua de mel será parecida. – então foi para o lado direito da cama e entrou em baixo das cobertas. Fiquei ali sentada sem dizer nada. Por fim, cansei de ficar encarando-o e fui para o banheiro tomar banho. Fiquei lá por horas eu acho. A água percorria por meu corpo tentando aliviar meu estresse, só de pensar que dali quatro dias me casaria, pensaria que fosse morrer...

- Que banho demorado heim... – apenas pude ouvir o som de sua voz abafado pelo barulho da água. Não estava afim de ouvi-la mesmo. Pouco tempo depois daí do Box do banheiro e me enrolei na toalha, fui para o quarto e nem olhei para ele quando fui para o closet me trocar. Quando voltei ele estava de cara fechada e com os braços cruzados.

- Que foi? – disse sinicamente.

- Que raio de roupa é essa? – respondeu entre dentes.


- Meu pijama? – ri

- Isso não é pijama para dormir com seu noivo... – retrucou

- Lógico que é...sexo só depois do casamento, amor... – fui para meu lado da cama com meu pijama de frio, calça e blusa de manga comprida, para não deixar nada a mostra.

- Ah claro, com o seu segurança você foi né? – ainda com o olhar fuzilante.

- Fui. – me virei de lado e não disse mais nada, apaguei a luz e tentei dormir.

- Eu ainda não terminei!! – respondeu com raiva

- Mas eu sim. Durma!

Por fim não disse mais nada e ele também não. Fiquei em silencio procurando dormir. Embora fosse difícil já que Marcos resolveu me abraçar. Mas por fim dormi.
Faltava poucos dias para meu casamento. Hoje chegou meu vestido. Realmente era lindo. Vermelho decorado com rendas, longo e a saia com babados. Chegou também as jóias que eu usaria, douradas. A sandália também era vermelha de salto 15cm. Pelo menos com relação ao que eu usaria, Marcos não se intrometeu.
O salão de festas da mansão estava todo decorado com rosas vermelhas, brancas e negras. E eu realmente estava me perguntando como poderia existir rosas negras mas fiquei quieta. As mesas estavam posicionadas estrategicamente sobre o salão e no centro do salão estava a mesa dos noivos e um pouco a frente ficaria a mesa com o imenso bolo.
Após sair do salão dei de cara com Leonard que ainda estava com um olhar triste e então me chamou para caminhar com ele no jardim labirinto. Andamos por vários minutos sem dizer absolutamente nada e minha maior vontade era de beijá-lo.

- Então...- disse ele parando no centro do jardim e então se virou para me olhar. Não tive tempo de responder, foi como se ele estivesse lendo meus pensamentos e então me tomou nos braços e me beijou. Ficamos nos beijando por muito tempo e então ele se afastou.

- Apenas queria dizer adeus Sher... – disse ele.

- Adeus...por que? – meus olhos haviam se enchido de lagrimas que começaram a escorrer por meus olhos azuis. Não deu tempo para me desviar do ataque, sua espada me atravessou com tanta força que cai para frente me apoiando nele. Me sentia confusa, sem saber porque ele havia me atacado. Comecei a sentir frio, meu peito doía e com muita dificuldade mantinha os olhos abertos.

- Mas por que... – mal conseguia falar.

- Me...me desculpa Sher...mas se não puder ser minha, não permitirei que seja de
mais ninguém... – disse Leonard secamente.

Meu peito começou a queimar ainda mais como que se sua espada estivesse envenenada. Ouvi barulhos vindo do jardim e quando olhei de lado vi Marcos correndo em nossa direção empunhando uma espada vermelha nas mãos. Não consegui resistir mais e acabei desmaiando.
Quando acordei no dia seguinte estava deitada em minha cama com muita dor de cabeça e dor no peito. Estava nua coberta apenas por um lençol branco de seda. Abri os olhos lentamente e quando as imagens se tornaram visíveis acabei assustando por eram vários olhos me olhando. Minha mãe,pai,tia e noivo, alem do medico.

- Vejam, ela acordou... – disse Athea, minha mãe.

- Graças a deus... – disse Marcos.

- O que aconteceu? – perguntei com muita dificuldade. Então meu noivo me contou tudo, do ataque de Leonard até sua morte.

- Mas se você não estiver melhor, podemos adiar nosso casamento... – disse Marcos com tristeza na voz.

- Não...estou melhor. Será que vocês poderiam nos deixar a sós? Eu e Marcos precisamos conversar. – Não demorou muito para que todos saíssem do quarto, então me virei e olhei fixamente nos olhos vermelhos de Marcos.

- Obrigada, teria morrido se não tivesse me salvado...

- Não precisa agradecer, apenas salvei minha noiva.

- Mas o que aconteceu? O que fizeram com ele? – disse com amargura.

- Destruímos ele. Quando eu o ameacei, não desconfiei que ele tentaria matá-la, depois fui para seu quarto e da varanda vi vocês e vi uma espada pendurada em seu cinto mas cheguei tarde... eu poderia ter evitado que você quase morresse...

- Achei que sua vontade era me matar...

- Não Sher. Dês do primeiro dia que eu a vi, eu quis tê-la. Desculpe se fui grosso muitas vezes, mas não confiava em Leonard.

Suas palavras para mim foram tão sinceras que apenas sorri, mas sorri pela primeira vez de alegria. No outro dia, já estava me sentindo bem melhor. E com razão, era o dia do meu casamento.
Me levantei da cama e fui ao banheiro tomar banho, não demorei muito pois estava atrasada para arrumar o cabelo e me vestir. Sai do banho e me enrolei em um roupão e voltei para o quarto para Beth, a cabeleireira , arrumar meu canelo. Decidi que seria um semi-preso com cachos descendo pelas laterais de meu rosto. Realmente ficou muito bonito. Depois ela fez uma maquiagem forte. Sombra vermelha esfumaçada em preto, com um delineador de leve para ressaltar o olhar e por fim batom vermelho sangue. Logo depois me vesti, com meu perfeito vestido de noiva e coloquei a sandália da mesma cor. Estava finalmente pronta para me casar e em cima da hora.
Quando abri a porta do quarto, quase trombei com minha mãe que quase me atropelou com o buque de rosas vermelhas. Saímos do quarto apressadas e descemos as escadas para o salão. Athea me beijou a testa e entrou no salão anunciando que a noiva estava pronta.
Os guardas abriram as portas e fiquei realmente impressionada com tamanha beleza que estava aquele salão. Estava tudo tão perfeito. As mesas todas arrumadas e todos em pé ao lado do tapete vermelho por onde eu entraria. E então começou a tocar a musica que toda mulher espera ouvir um dia. E finalmente entrei. Caminhando lentamente até o altar e por onde eu passava, as pessoas jogavam pétalas brancas atrás. Não entendi muito bem o significado, presumi que fosse bom. Chegando até meu noivo, o padre começou a dizer nossos votos.

- Você, Sher Laffer, aceita Marcos Holf como seu legitimo esposo? – disse o padre.

- Sim. – sorri.

- E você, Marcos Holf, aceita Sher Laffer como sua legitima esposa?- disse o padre.

- Sim.- sorriu para mim.

- Então vos declaro marido e mulher. Podem se beijar.
Então nos beijamos e demos os braços para sair e cumprimentar os convidados, que por sinal eram muitos. Logo depois a festa começou e fomos para a nossa mesa se sentar.

- Prometo ser uma boa esposa – sorri graciosamente.

- Prometo ser um bom esposo também. – e me puxou e me beijou novamente. Então depois do beijo o puxei para a pista de dança e dançamos até as altas da festas. E como tudo deve ter um fim, nos despedimos de todos e fomos para o carro e partimos para nossa lua de mel.

Viajamos três horas de carro até chegarmos ao aeroporto para pegarmos um avião para as ilhas no Caribe. Então como de costume, viajamos em um jato particular. Marcos quis adiantar a lua de mel mas não permiti. Estava tão exausta que acabei pegando no sono e adormecendo em seus braços.
Quando chegamos as Ilhas Caribe, Marcos me acordou com leves beijinhos na testa e então abri os olhos e sorri. Desembarcamos e então fomos levados ao hotel, era de noite já.Marcos me carregou nos braços até nosso quarto, o que achei muito romântico. E logo que entramos ele me deitou na cama carinhosamente. Nós ainda estávamos vestidos com as roupas do casamento. Então olhei para ele e o fitei por completo.

- E então? – levantei uma sobrancelha e sorri. Não precisei dizer mais nada para ele entender o recado. Ele se aproximou e deitou sobre mim e começou a me beijar e não demorou muito para que começasse a tirar meu vestido me deixando apenas de lingerie. Logo depois tirou toda a sua roupa e apagou as luzes e demos inicio a nossa queridíssima lua de mel.

Depois de muitas horas de brincadeiras ele me abraçou e se pôs a dormir e eu fiquei olhando para a janela coberta por cortinas vermelhas. E então comecei a me lembrar sobre tudo o que passei com Leonard e da forma com que ele me traiu. E prometi a mim mesma que nunca decepcionaria Marcos como fui decepcionada.

sábado, 3 de abril de 2010

Reflexão



O tempo estava fechado, estava chovendo. Tudo a sua volta girava como uma roda gigante, todos apenas sabiam falar a mesma coisa, como que se o disco estivesse travado. Nada estava saindo como ela queria e mesmo assim continuava tentando. Sempre pensava na mesma frase a cada movimento que dava “ se o mundo esta perdido, vamos terminar de ferrar com tudo” e se repetia cada vez mais forte a cada critica que as pessoas faziam. Se segurava para não fazer uma tremenda besteira que pudesse magoar a todos,porem, queria mais que tudo se explodisse.
Estava cansada de tudo aquilo que estava acontecendo a alguns anos. Todos só sabiam uma coisa, sabiam que queriam brigar pelo que os foi tirado a alguns anos. Queria mais que o mundo se explodisse e que acabasse em barrancos para morrer encostado. Já não sabia se o certo estava certo e se o errado estava errado, apenas sabia o que queria. O cansaço era visível, todos sabiam que algo havia de errado e insistiam em descobrir quando nem mesmo sabia o que era.
Algumas mudanças ocorrem com o tempo, troca de amizades, novas paqueras, intrigas permanentes se dissolvem com o tempo até que finalmente, segredos começam a ser descobertos e todo o esforço gasto para encobrir o mistério acaba sendo em vão. E quando finalmente tudo começa a dar certo, criam um motivo para fazer com que tudo comece a dar errado...
E no final, em que mundo estamos vivendo?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Nightlife -> Em o segredo do Diario.



Em um povoado perto da cidade Italiana, tem ocorrido vários assassinatos sem explicação. Todos os dias, na mesma hora, uma mulher desaparecia e no dia seguinte pela manha, reaparecia na praça central mortal, com marcas pelo corpo, como que se tivesse tentado lutar para não morrer. Como antigamente, naquele povoado, os antigos diziam que homens noturnos visitavam a vila para exigir suas mulheres, as mais belas, como oferenda para que não queimassem a vila. Então, atribuíam a esta lenda, os assassinatos freqüentes, mas o que ninguém consegue entender é por que eles voltaram a atacar depois de 250 anos.

O líder da vila, Ferruccio Adamo, cansado de perder inúmeras mulheres, inclusive sua esposa, que foi encontrada morta e completamente irreconhecível a uma semana atrás. Então resolveu contratar um especialista em lendas para tentar encontrar quem estava por trás dos ataques. Alguns dias depois de ligar para os serviços L.e.M (Leggende e Mistero), a senhorita Lea Miazzi chega a vila. É recebi com muito interesse e receio pelos moradores por ser muito bela e acabam tendo medo de que a Sra. Miazzi seja morta.


O Sr. Adamo, recebe a senhorita Lea com um certo interesse no olhar e faz questão de que fique hospedada em sua casa para lhe contar com mais detalhes os acontecimentos.

- Deixe-me apresentar....- Mas antes que a deixasse terminar a frase, é interrompida por Ferrucci, que ao sorrir, consente com a cabeça.

- Sei quem você é, por fazer, acompanhe-me até em casa, é onde ficara hospedada.
Sem entender, mas apenas concordava. Pensava conhecer aquela voz por que era com aquela voz que havia falado pelo telefone antes de ser contratada. Andaram alguns minutos sobre a neve que caia intensamente sobre a vila até chegarem na casa de Adamo. Não demorou muito para o dono abrir a porta e saírem da tempestade, tirando os casacos e os colocando no cabide.

Olhando a casa com atenção, procurava não deixar escapar de seus olhos cada detalhe, por mínimo que fosse, era considerado importante para a solução do mistério. Tentava, claro, disfarçar o interesse pelo local e pede para que Ferrucci mostre a casa, inclusive, onde dormiria. Andando pela casa, continuava a olhar seus mínimos detalhes, e ao chegar em seu quarto, olhando para cima,viu um lindo retrato de uma mulher muito pálida , de longos cabelos negros e olhos castanho avermelhado e no qual estava vidrado em um outro quadro, no final do corredor que era a mesma mulher, na mesma posição porem com o olhar em outra direção.

- Sua esposa?...

- Sim...mas morreu já faz algumas semanas...- Abrindo a porta onde Lea ficaria, a deixando entrar. – A deixarei sozinha, pode andar pela casa se quiser, a cozinha é no fim do corredor a direita. – Fechando a porta e se retirando para seu quarto. Olhava ao redor, colocava sua mala em cima da cama e olhava ao redor. Não sabia o que faria, então decide abrir sua mala, pegar seu pijama e seu notebook. Coloca o computador em cima da mesa, pega seu pijama e vai para o banheiro tomar banho.

Deixava a água cair por seu corpo, estava pensativa, não tirava da cabeça o quadro da Sra. Adamo, seu olhar em direção ao outro lado, e o outro quadro com o olhar direcionado a outro lugar. Terminando seu banho, se secava e logo colocava o pijama. Ainda muito pensativa, vai volta para o quarto , se senta na cadeira e liga o Notebook. Lea abre uma pagina na internet e digita no Google a palavra Nightlife que significa Noturnos,e não demorou muito para achar uma pagina que continha os acontecimentos recentes e de 250 anos atrás, o que a deixou ainda mais curiosa. Havia ficado até as 2horas da manha, procurando descobrir no Google alguma informação adicional, em vão, então desligou tudo e foi para sua cama, dormir.
No dia seguinte, Lea acorda um tanto assustada com a gritaria que se ouvia fora da casa. Se levanta e se aproxima da janela, onde via do alto uma multidão que estava em volta de duas mulheres, uma no chão e a outra a abraçando. Nisso, ela pega seu roupão e sai correndo em direção a braça e ao se aproximar da multidão, tenta chegar perto das duas mulheres.

- Licença, Licença.... deixem-me passar....- Conseguindo passar, Lea pede para que deixem analisar o corpo da vitima, viu que estava roxa e com marcas em volta do pescoço, de dedos. Então deu seu veredito.- Ela foi estrangulada, pode-se ver isso em volta do pescoço, ela provavelmente tentou lutar antes de morrer, e possivelmente teve seu sangue retirado em grande quantidade,seus pulsos estão cortados...e ela está bem pálida, com olheiras profundas. Bom, aconselho que na sepultura dessa jovem, escavem uma cruz possivelmente pegando a reta vertical da cabeça aos pés e na horizontal pegando de ombro a ombro. Agora tenho de ir, Com Licença. – Saindo do meio da multidão, Lea se dirige para a casa, estava de pijama e não poderia ficar na rua com aquela roupa. Quando chegou, ao passar pelo quadro que ficava em frente ao corredor, não deixou de reparar para onde “ela” olhava, e percebeu que olhava para uma rachadura na parede, que cortava a sala inteira e terminava em um tijolo que parecia estar solto.

Estava certamente muito curiosa com relação a aquele detalhe e estava determinada a descobrir. Pediu a Ferrucci, se podia usar a biblioteca da casa e certamente ele permitiu. Lea logo foi para seu quarto, se trocou, pegou seu notebook e foi para o local. Quando entrou na sala, reparou que tinha varias estantes com livros com aparência bem antiga, e no final do corredor, estava lá o mesmo quadro com a mesma mulher, só que com uma posição diferente. Estava escrevendo em um livro que mais parecia um diário, parecia atenta, Lea começa a caminhar em direção ao quadro calmamente e quando se aproximou bem, pode ler que era um diário. Nisso pensou que a maioria do mistério poderia estar contido naquele livro. Pousou em uma mesa central seu notebook, e logo começou a olhar estante por estante em busca do diário. Mas apenas achava livros sobre vampiros, lobisomens, romances e livros muito antigos sobre a historia da família do Sr. Adamo. Continuou procurando até que achou um livro grande, com capa bem rústica e velha, mas estava lacrado. Como Lea era uma investigadora, levou o livro até a mesa e pegou um grampo de cabelo e uma faquinha pequena que carregava em seu estojo. Colocou delicadamente a faquinha dentro da entrada da chave e logo encaixou o grampo, e com um solavanco com o pulso fez com que o lacre abrisse.

Lea olhava o livro com muito interesse, então resolveu o abrir e ler. Lendo o livro com muito cuidado, começou a reparar que contava a historia dos Noturnos, dos homens que atacavam a vila. Embora as primeiras paginas não contassem muito sobre a historia, resolveu ler e ler cada vez mais em busca de novas pistas. A cada pagina que lia, ficava ainda mais surpresa, pois logo suspeitou que a família de Ferrucci Adamo poderia ter surgido com o envolvimento da mãe da bisa avó que era mãe da avó de Ferrucci com um dos Noturnos, que havia se apaixonado por ela e permanecido na vila.

O que mais a assustava, era pensar que poderia estar cada vez mais próxima do assassino, e quando ela diz próxima, seria morando na mesma casa que ele. Tentava afastar esses pensamentos, mas a cada pagina que continuava lendo, passava a ter certeza do que achava. Quando terminou de ler, reparou que o livro continha um fundo falso e ao retirar o fundo, notou que lá estava o tão procurado diário da Sra. Adamo. Não conseguia acreditar que após horas de leitura havia o achado. Como já era tarde da noite e estava quase amanhecendo, resolveu colocar o diário dentro de seu notebook e guardar o livro, fazendo isso, ela se levanta e caminha em direção a porta da biblioteca. Quando saiu, andou um pouco até chegar próximo de seu quarto até que foi surpreendida por Ferrucci. Lea quase derruba seu notebook no chão quando Sr. Adamo pede desculpas.

- Desculpe-me se a assustei, estava indo ao trabalho. – Lea estava pálida de medo, estava muito assustada quando ouviu tais palavras.

- as 5:00 da manha? – Pergunta com voz tremula.

- Sim, a prefeitura abre daqui a pouco. Bom, bom dia. – Ferrucci abre passagem para Lea que corre em direção ao quarto. Abriu e fechou a porta com violência, colocou o aparelho na mala e logo se trocou para dormir, decidindo ler o diário pela manha, quando acordasse. Dormiu mal a noite, estava muito preocupada de talvez estar morando na casa do assassino, ou pior, acabar virando a próxima vitima. Ao acordar pela manha, Lea se levantou, colocou seu roupão e foi a cozinha tomar café, Sr. Adamo não havia retornado ainda. Quando voltou para o quarto, pegou o diário e se sentou na cadeira e colocou o mesmo sobre a mesa, ao abri-lo para ler, ficou espantada pois algumas frases estavam escritas em outra língua. A primeira frase dizia “مرده را در شب ، به دنبال چیزی است که نمی داند آنچه در آن است. ”. Não conseguia entender muito o que dizia, não falava minha persa então pegou seu dicionário na bolsa e traduziu, dizia “No calada da noite, procuro por algo que não sei o que é.” E o resto do parágrafo continuava em italiano. Lea não conseguia entender o sentido daquela frase, então continuou a ler.

Não conseguia entender os desabafos que a Sra. Adamo, parecia que a pobre senhora tinha medo de seu marido. Lea entrou em uma leitura profunda, estava curiosa e acaba descobrindo que não é a primeira esposa de Ferruccio. Ao decorrer da leitura acaba descobrindo que Sr. Adamo era descendente direto dos Noturnos. E os assassinatos começaram um mês depois de sua posse a prefeitura. Logo no inicio de outras dez paginas aparece outra frase em língua persa “من واقعا در امروز باور دارند ، این من رنج می برند ”. Não conhecia o significado de algumas palavras, apenas havia conseguido traduzir “ acredito, no hoje, que sofro”, estava intrigada e curiosa, então pegou seu dicionário e começou a procurar as palavras que faltava e logo completou a frase “ acredito realmente no hoje, pelo presente que sofro.” Não conseguia entender o que a Sra. Adamo queria dizer com a frase, porem suspeitava que a senhora havia sido forçada a casar-se com ele.

Embora quisesse continuar a ler, seus olhos não permitiam, estava muito cansada, havia tido um dia exaustivo e precisava dormir. Colocou o diário dentro do notebook e foi para a cama, quando se deitou continuou pensando sobre o que tinha lido mas acabou caindo no sono. Quando estava amanhecendo, ouviu um barulho na cozinha e se levantou assustada e foi ver o que era, mas quando chegou, se deparou com Ferruccio segurando uma faca afiada fincando no peito de uma mulher. Lea estava horrorizada, correu para seu quarto, mas ele havia escutado seus passos apressados, jogou a vitima no chãos e saiu atrás da moça meio cambaleando.

Quando chegou ao quarto, pegou o diário e foliou rapidamente as paginas até chegar na ultima onde dizia claramente e com manchas de sangue. “ Feliz daquela que se manter longe desse paraíso”. Estava com medo, soava frio, sentia a morte chegar quando ele quebra a porta em um chute. Se encontrava no chão, encolhida e quase chorando.

- Por que está fazendo isso comigo?- Lagrimas escorriam de seus olhos.

- Você foi longe de mais garota, considere-se feliz de ter vivido tanto tempo. – Ele pega Lea pelos capelos e a coloca de pé.

- ai me solta....- Gritava de dor na cabeça ao ser colocada de pé. – Se me matar, será preso. Será a primeira pessoa a desconfiar.

- Pouco me importa, acabarei com você, lentamente. – Nisso ele passa a lamina afiada no pescoço de Lea mas apenas para sangrar um pouco, enquanto ela implorava pela vida.

- Por favor, juro que sumirei da cidade...- Se faz uns minutos de silencio e ele consente.

– Partira logo pela amanha, irei comprar suas passagens. – Ela se levanta e pega uma toalha para limpar o sangue, logo coloca um curativo e começa a arrumar as malas e enfia o diário na bolsa também sem perceber. Mal consegue dormir até que o dia chegue, estava preocupada, aflita e com medo. Quando finalmente amanhece Ferruccio arromba a porta do quarto e a pega para levá-la ao aeroporto. No caminho não trocam uma palavra, muito menos um olhar e ao chegar nem mesmo se despedem, entra correndo no avião e caminha para a Europa. Até chegar em sua casa algumas horas de vôo então procurou em sua bolsa em busca de um livro e acabou achando o diário de Violet Adamo, embora ainda não soubesse os motivos pelo qual ele matava as mulheres inclusive sua esposa, Lea teve a idéia de publicar o livro e colocar Ferruccio de vez na cadeia.

Dias se passaram e ela continuava a trabalhar na historia do livro que colocaria um grande assassino em serie na cadeia. Após algum tempo na vila continuava os assassinatos e ninguém sabia quem matava e nem por que motivo Lea sumira da cidade sem mesmo dizer por que. Logo três meses de trabalho duro e dedicado ao livro, finalmente ele foi publicado, a principio ninguém sabia que historia o livro contava até que chegasse ao ultimo capitulo e descobrissem que aquilo tudo eram fatos reais. Alguns dias depois o famoso livro chega a Itália e logo vira um super sucesso entre as pessoas que o liam, mas os policiais foram atrás do suspeito para prende-lo . Na vila, ninguém acreditava que o próprio prefeito era quem estava por trás de todos os assassinatos, inclusive o de sua esposa que estava grávida. Em julgamento, apenas disse que matava por puro prazer em ver as vitimas implorando para que nada as acontecesse, disse que matou a própria mulher por que ela descobriu sobre o passado de sua família e ameaçou deixá-lo, só que quando a matou, nunca imaginou que ela estava grávida.

As pessoas que conheciam a família não conseguiam acreditar que ele havia realmente sido capaz de matar todas aquelas mulheres e seis meses após sua prisão, foi condenado a pena de morte por assassinar em media 30 mulheres .
A policia fez uma investigação nos sobrenomes que batiam com os assassinos chamados Noturnos desde 250 anos atrás para ver se alguma dessas famílias já havia cometido algo relacionado ao ocorrido e felizmente, a família Adamo terminou com a morte de Ferruccio que foi enforcado e queimado.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

BaD MemorieS

( Participação no nick do texto : Marcos, meu melhor amigo)





Eu tinha 14 anos quando sofri um gravíssimo acidente. Era 27 de julho de 1974 quando começou a chover muito forte e o carro acabou capotando. Meu pai, morreu no acidente e eu, entrei em coma. O resgate demorou para chegar, pois a chuva acabou dificultando muito a retirada de nossos corpos. Acabou demorando 2 horas para que retirassem os corpos sem que ficassem ainda mais prejudicados. A ambulância demorou em media 1 hora para chegar ao hospital, acabei tendo convulsões freqüentes, cheguei ao hospital e os enfermeiros estavam muito preocupados com meu estado grave de saúde.
Apenas ouvia os médicos e enfermeiros gritarem a minha volta “ela vai morrer, ela vai morrer, seus batimentos estão diminuindo”, e acabou sendo a ultima coisa que eu ouvi antes de entrar em coma.
Sabem, nunca cheguei a imaginar que acabaria passando os últimos dias de minha vida em coma,em um hospital e contando os dias até a morte chegar.
Meus dias no hospital foram realmente horríveis. Entrava hora sim hora não na sala de cirurgia, hora sim hora não tinha convulsão. Realmente o fim da minha vida estava chegando e nem esperava por um milagre.
No dia 25 de dezembro 1975, a morte finalmente me levou. Acabou sendo o ano mais longo de toda a minha vida. No final, acho que os médicos desistiram de mim e me entregaram na mão do “milagre” mas infelizmente ele não chegou.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sobre o Mistério da Lua Cheia.





- Em uma cidadezinha perto do México , chamada Vale da Lua, muitas pessoas costumam dizer que tal cidade contem um mistério que nunca foi desvendado. Que sobre o lago Marine, toda lua cheia, se ouvia uma linda melodia. As mulheres diziam ser bruxas querendo matar os homens bonitos que moravam na cidade, e outras diziam ser sereias que queriam hipnotizar os viajantes. Todos os homens que iam investigar o lago nunca mais voltavam. Algumas mulheres que conversei disse que era impossível cantar a musica inteira, que a única coisa que elas conseguiam se lembrar era de um trecho da musica: “sobre o vale das águas aqui o chamo”. Mas eu, Joseph L., pretendo descobrir o grande mistério que certa o lago. – o Professor Joseph, escrevia em seu diário sentado em sua cama apoiando o livro em suas pernas. Tinha um ar intelectual e muito curioso, pois as mulheres o olhavam e suspiravam ao mesmo tempo por sua beleza espetacular. Era alto, aproximadamente 1.90 de altura, moreno, olhos verdes e de um bom físico. Sempre andava de sobretudo e com um chapéu inclinado para frente. Ele sempre levava consigo uma maleta e uma bengala que continha o desenho de uma cobra onde ele a segurava.

No outro dia, Joseph acorda bem cedo, junto com o galo do dono da pousada onde ele estava hospedado, se arruma pegando suas coisas e desce para tomar o café da manha.

- Bom dia professor Joseph. – Um homem sorridente se aproxima com uma xícara de café e um prato com 2 pães com manteiga.

- Bom dia Onofre, bela manha, não? Ah obrigado pelo café.

- Bela manha? Já não sei, senhor. Outro rapaz desapareceu por conta daquele lago.

- Onofre, sente-se por favor, vamos conversar?

-Claro senhor. – O pobre dono da pousada puxa a cadeira e se senta a frente do professor.

- Bom, o que acontece exatamente com os rapazes? Eles reaparecem?

- senhor...sim eles reaparecem depois de meses, como que se nada tivesse acontecido, simplesmente não se lembram de nada, nem mesmo o que fizeram e como voltaram.

- Eles aparecem com alguma marca? – no decorrer da conversa o professor ia tomando seu café e comendo um dos pães.

- Aparecem com arranhões, marcas de violência, não sei ao certo...

- Você se lembra da melodia? – o professor já começará a atacar o outro pão e em seu olhar havia mistério e curiosidade.

- ah não muito senhor... “sobre o vale das águas aqui o chamo, venha para mim, venha ser meu, apenas meu”.

-hm... acho interessante que as mulheres não consigam cantar essa musica, apenas conseguem falar sem melodia. Bom, obrigado pelo café, vejo que hoje meu dia será longo. – Joseph se levanta e caminha em direção a porta, coloca seu chapéu na cabeça, diz novamente obrigado e sai em direção ao lago.

Caminhando lentamente com seu diário em suas mãos, ele ia aos poucos relatando tudo o que via e também ia desenhando o caminho por onde passava. Logo se aproximando do lago ele se senta em um tronco e fica a espera de alguma coisa, apenas a espera de uma pisca. Ficou por ali sentado durante muito tempo e apenas via animais se aproximarem do lago para beber água. Cansado de ficar ali, se levanta e caminha novamente de volta para a pousada, e no caminho ia relatando o que havia acontecido. Chegando lá, Onofre o recebe inquieto, querendo saber se o professor já havia descoberto alguma coisa.

- Acalme-se, não...não descobri nada, a única coisa que eu vi foi animais se aproximarem para beber água.

- Ah, sim, claro, desculpe incomodar senhor. Deseja um banho, senhor?

- Sim, irei tomar. Obrigado. – O professor sobe as escadas, entra em seu quarto e começa a se despir, logo pega uma toalha, se enrola nela e caminha em direção ao banheiro. Já em baixo da água quente, tomando seu precioso banho, ele começa a ouvir uma linda melodia.

“ sobre o vale das águas aqui o chamo, venha para mim, venha ser meu, apenas meu, venha partilhar comigo o seu amor, o seu desenho. Sobre o vale das águas aqui o chamo, venha, venha, venha, venha para mim...”

Sobre o efeito de tal melodia, Joseph sai o banho,se enrola na toalha e sai do banheiro, descendo as escadas rapidamente, e logo estava fora da pousada. Caminhava rapidamente, quase correndo em direção ao lado. Ao chegar no local, ele viu uma mulher muito bonita olhando para ele, era loira, seus olhos eram bem claros e sua pele branca como a lua.

- Quem...quem...quem é você? – ele a olhava fascinado pois nunca havia visto tamanha beleza como a dela, e também pelo fato dela estar nua.

- eu? Eu sou quem você procura, não é? – a mulher se levantará e caminhava até ele, ela tinha um corpo escultural que o deixará totalmente inquieto.

- mas qual seu nome e por que está nua? – a bela mulher estava em sua frente alisando seu peitoral malhado e deslizando a mão até a toalha que cobria suas partes intimas.

- Raquel, e estou nua por que vamos fazer amor até que eu me canse de seu corpo ou até que eu sugue totalmente sua alma. – a mulher o agarra pelo pescoço e o arrasta até a água o fazendo cair no chão, se debatendo, ela mergulha a cabeça do professor na água como que se quisesse afogá-lo. Sentia sua vida escorrer por suas narinas inundadas por água e logo ele desmaia.

Horas depois, Joseph acorda em uma cama, como se fosse um quarto em uma gruta abaixo do lago, estava todo arranhado e enrolado em um lençol, não sabia onde estava e nem o que tinha feito a noite inteira. Apenas se deparou com a mulher o olhando, porem desta vez não estava nua e sim com um vestido curto um pouco transparente.

- Que diabos é você?

- Já disse, sou a Raquel! – dizia rindo, como que se estivesse debochando a situação embaraçosa em que o professor se encontrava.

- Você com certeza não é humana! – dizia o professor indignado e ao mesmo tempo tentava se levantar mas a tentativa havia falhado.

- Acertou. Você não conseguirá se levantar. Apenas me diga, o que quer em meu lago.

- Vim estudar o motivo dos desaparecimentos. Agora me diga, que espécime de ser é você, exijo respostas!

- Aqui na minha casa, você não exige nada,querido. – Raquel tira seu vestido e se aproxima do homem, o beijando na boca e o fazendo desmaiar novamente.

Não havia um dia que a sereia não fizesse amor com o professor e o fazia desmaiar antes do ato. Isso se repetia meses e meses até que chegasse a lua cheia novamente e ela o mandasse de volta a superfície com a memória apagada.

- Por favor, apenas me diga quem é você e por que faz isso com os homens.- Deitada sobre o corpo imóvel do homem, acariciando seu corpo ela resolveu contar-lhe a história toda.

- Bom, eu sou uma sereia que necessita a força vital do homem e eu só consigo isso através do ato de amor. Satisfeito? Agora a lua cheia se aproxima e eu preciso mandá-lo de volta a superfície, adeus meu querido professor. – Raquel novamente o beija de maneira tão intensa que sugava-lhe a memória fazendo o esquecer daquele mês que ele mal saia da cama.

Logo ao amanhecer, encostado em uma arvore com a toalha suja de lama envolvendo seu corpo, Joseph L. acorda com o sol ardente em seu rosto, não conseguia reconhecer o lugar onde estava muito menos em que cidade estava. Se levantou e caminhou seguindo uma estradinha de terra, e após minutos de caminhada, havia chegado na cidadezinha do Vale da Lua. Os habitantes o olhavam surpreendidos, as mulheres curiosas para ver aquela toalha cair e os homens incrédulos por presenciar tal cena. Quando um homem gordo e baixinho corre em sua direção junto com a esposa e os 2 filhos para ver o que havia acontecido.

- Senhor, senhor, por onde andou? Ficou meses desaparecido. Por favor, venha até a pousada. – Onofre encaminha o professor até sua pousada, ao chegarem o senta na cadeira e lhe serve o café da manha como de costume.

- O que aconteceu senhor? – As expressões de medo e pavor assombrava a família.

- Eu...simplesmente...não me lembro...- Joseph olha para a família com um ar cansado e sem entender o que estava acontecendo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Dama Da Noite - Uma Noite em Preto e Branco



Caminhando por um beco escuro, onde simplesmente a luz não chegava e apenas se ouvia ruídos de gatos caçando ratos e cachorros caçando o que comer. Sentia medo mas ao mesmo tempo tentava me acalmar. O tempo estava fechado e logo começou a chover. A chuva fina caia sobre meu rosto mas logo começou a ficar forte e enormes poças de água se formavam sob o chão e logo a frente vi um homem, de sobretudo e de chapéu, sobre a chuva forte, simplesmente olhando para o chão. Procurei apressar o passo com medo de que fosse um bandido, um maluco ou até mesmo um assassino em serie que acabara de fugir da prisão ou estava sendo procurado pela policia. Apressei o passo e passei rapidamente pelo sujeito que para mim era muito suspeito, quando finalmente sai do beco e virei a direita lá estava ele novamente, quando o vi, parei, sem a menor reação e fiquei me perguntando como ele havia chegado ali tão rápido. Olhei para traz e realmente ele não estava mais no beco e sim em minha frente. Atravessei a rua e entrei no bar La Belle e quando olhei para o sujeito novamente ele me encarava , nunca me senti com medo como estava sentindo naquele momento.
Na recepção do bar, deixei meu casaco e meu guarda-chuva, e segui para o balcão para beber um pouco, já que o que havia me trazido a tal lugar era o desprezo pela vida que eu estava sentindo no exato momento. Pedi ao garçom que me trouxesse um whisky Italiano e enquanto ele preparava minha bebida, varias memórias invadiam meus pensamentos. A traição de meu namorado, a falsidade de minhas amigas e o medo que aquele estranho havia despertado em mim mas ao mesmo tempo sentia interesse em saber quem ele era e por que estava me encarando. Logo que o garçom voltou com meu whisky, quando fui para pegar o copo senti um vento gelado atrás de mim, ouvi passos e logo um homem de sobretudo se sentou ao meu lado e pediu ao garçom um whisky Italiano, senti calafrios e muito medo mas minha vontade de descobrir quem era aquele homem com aquela voz que sabe seduzir.
- Mas que coincidência... o senhor pediu o mesmo que eu. – O olhei de relance e vi que havia sorrido, levei o copo aos meus lábios e bebi um pouco, senti o liquido descer queimando por minha garganta. O homem se levantou, e foi até a recepção deixar seu sobretudo e seu chapéu, quando ele voltou estava de terno com listras de giz, era alto devia ter 1.80 de altura, moreno, cabelos lisos um pouco bagunçado, seus olhos eram verdes e muito sedutores. Aparentava ter uns 25 anos, bom se tiver essa idade não seria muito mais velho do que eu. Logo ele voltou para seu lugar ao meu lado e disse com sua incrível voz de veludo.
- Bom gosto o seu, senhorita, mas por favor, não me chame de senhor...não sou tão velho assim, me chame de Luy. - Ele se virou, sentando-se de frente para mim, bebeu um pouco de seu whisky e logo perguntou meu nome.
- Uma mulher tão bela como você, deve ter um nome muito bonito. – Fixou seu olhar em mim e logo tentou acertar meu nome. – Se chama Luma?
O olhei com espanto, meu nome não era tão comum para que ele acertasse, será que ele me conhece de algum lugar? Bom, fiquei muito desconfiada da maneira como ele disse meu nome, ele apenas me olhou firmemente nos olhos e disse “Luma”.
- E você, Luy, trabalha com o que? – Com certeza não perderia a oportunidade de tentar descobrir algo sobre ele que parecia ser um clássico executivo atrás de diversão, e naquela noite, estava pensando em ser “sua” diversão.
- Trabalho na empresa Delux, minha família é dona de lá. – Novamente ele bebeu um pouco do whisky e continuou me olhando nos olhos como que se quisesse devorá-los.
Sem dizer uma palavra sobre seu trabalho, joguei meus longos cabelos loiros para traz de forma que fosse possível olhar melhor meu rosto, terminei de beber meu whisky e esperei que disse algo sobre meu perfume que com certeza havia sentido. Luy me olhou com tamanha ferocidade que virou seu whisky em um gole, se levantou e em apenas um puxão me tirou do banco e fiquei simplesmente corpo a corpo com ele. O olhei com desejo, deslizei minha mão por seu peito e ele apenas me apertava mais em seus braços, conseguia sentir toda a pulsação de seu corpo. Aproximou seu rosto sobre o meu e sussurrou em meu ouvido.
- Não quer ir para minha casa? Podemos ficar mais a vontade se é que me entende Luma. – Ele me apertava com mais força, até parecia que se eu não aceitasse me levaria a força mesmo assim, ele sorria para mim em um tom de malicia e logo aceitei. Pagamos a conta do bar, pegamos nossos casacos e saímos do bar. Caminhamos uns 15 minutos lado a lado até chegar em seu carro, era um divino Porsh preto. Gentilmente abriu a porta do carro para mim entrar, quando entrei, logo fechou a porta e deu a volta para entrar também. Ligou o carro e seguimos para sua casa, ele dirigiu certa de uns 10 minutos e chegamos ao prédio onde morava, ele estacionou na garagem, desceu e abriu a porta para mim, realmente um verdadeiro cavalheiro. Caminhamos em direção ao elevador e notei que ele havia apertado o botão para o ultimo andar. Luy me olhou de um jeito sedutor, me colocou contra a parede e me beijou, um beijo de tirar o fôlego e de subir um fogo. Puxou uma de minhas pernas e a encaixou em seu quadril subindo um pouco meu vestido tubinho vermelho, logo puxou a outra perna e fez a mesma coisa. Desceu beijando meu pescoço me fazendo ter calafrios, enquanto eu ia abrindo seu terno ele continuava beijando meu pescoço. Depois de 10 minutos de “sedução” o elevador parou e a porta abriu, nisso joguei seu terno no chão dentro da sala e ele me levou no colo para seu quarto. Me colocou no chão e desceu o zíper do meu vestido, o fiz sentar na cama e levantei minha perna e o empurrei para deitar. Começamos a nos beijar novamente só que com mais intensidade, fui abrindo cada botão de sua camisa e fui descendo beijando seu pescoço e quando finalmente tirei sua camisa, sentia seu corpo quente e pulsando de prazer. Alisei e deslizei minhas mãos por seu corpo até cheguei em suas calças, tirei o cinto e abri sua calça e saindo de cima de você comecei a puxá-la até tirá-la por completo o deixando apenas de cueca. Reparei que se estava totalmente excitado pois havia um certo volume por de baixo de sua cueca. Fui tirando lentamente meu vestido, e notando que estava mordendo os lábios quando finalmente fiquei com uma lingerie preta de renda. Ele se sentou e me puxou para si, me deitando ao seu lado e logo ficou por cima de mim me beijando, com direito a passadas de mão e tudo o que essa noite teria direito, ele por um momento parou e se sentou.
- Vou buscar vinho para nossa noite, querida. – E piscou para mim. Se levantou e foi para a cozinha.
Chegando na cozinha, peguei uma bandeja de prata, coloquei sobre ela 2 taças de cristal e uma garrafa de vinho, encheu as taças e em uma das taças despejou um pó branco chamado de boa noite cinderela e voltou para o quarto, colocou a bandeja sobre uma mesinha de centro, e me entregou a taça de vinho que continha o remédio. Ele tomou todo o vinho de sua taça em um gole e esperou com os olhos maliciosos que eu tomasse totalmente a minha também.
Coloquei a taça ao lado da dele e nisso ele me agarrou com força me beijando e tirando minha lingerie, seus beijos estavam começando a ficar intensos, estava começando a sentir tudo girar, por um momento parou de me beijar e comecei a ver tudo preto e branco, tudo estava começando a escurecer, levantei minha mão para tentar alcançá-lo e não conseguia e logo adormeci.
Acordei no dia seguinte com a luz do sol batendo em meu rosto, olhei para o lado e Luy estava com seu braço em cima de mim, estávamos nus, enrolados no lençol. Tirei seu braço calmamente de cima de mim e puxei o lençol, estava sentindo uma forte dor no pescoço e caminhei em direção ao banheiro para ver o que era pois doía muito. Entrei no banheiro e cheguei bem perto do espelho e tirei o cabelo de cima, e havia uma marca de mordida, olhei melhor e meus olhos já não eram mais castanhos e sim azuis e meu cabelo já não era mais liso e sim ondulado. Minha pele estava perfeita, meu corpo estava mais definido que antes e eu estava muito assustada quando Luy apareceu atrás de mim e me juntou por trás e sussurrou em meu ouvido.
- Bem vinda ao meu mundo dama da noite. Vai ser só minha. – E me abraçou como nenhum outro homem havia me abraçado antes, senti como que se o tempo estivesse parado e apenas me perguntava cada vez mais se vampiros tinham sentimento e por que ele havia me escolhido para ser dele. Não sei a sensação de se alimentar de sangue ou de matar as pessoas mas sei que será a única forma de sobreviver neste novo mundo que criaram para mim.